segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Assombros: folclore & horror - Intro


Uma vontade que sempre tive é explorar os elementos e mitos do nosso folclore e torná-los uma ambientação de horror para RPG. A origem dessas lendas sempre foi mais sombria que os contos infantis que conhecemos hoje em dia, então há um grande potencial e um cenário bastante rico, pronto para ser usado. Assombros será uma série de posts sobre o tema e essa ambientação.

Introdução

Contar histórias é uma velha prática. Ela pode servir para vários fins: conhecimento, diversão, orientação - assim como para amedrontar alguém. Desde quando o Homem acendeu a primeira fogueira para se livrar do frio e do medo da noite, histórias são contadas. É daí que surgem lendas - invenções, tentativas de se explicar o que não se conhece. E aquilo que o Homem não conhece, o Homem teme. Monstros, duendes, fadas e fantasmas são tratados como invenções, meros contos de terror. Nem sempre foi assim. Muito antes dos avanços na medicina ou do surgimento da Internet, quando as pessoas acendiam lamparinas ao cair da noite, as lendas eram contadas de pai para filho, para que quando o filho se tornasse pai, ele por sua vez pudesse passar para seu filho e assim por diante. Era um ritual tradicional, com uma importância inquestionável. Folclore, cultura popular. Mas esse antigo costume era acima de tudo um alerta. E assim o ciclo começou.

Com a chegada de uma nova era, os antigos costumes foram sendo deixados para trás, até desaparecerem por completo como um sonho distante ou uma história da qual não se via mais graça. Os contos que antes eram tão temidos hoje apenas ilustram narrativas infantis. Os filmes ocuparam o vácuo que foi deixado na imaginação das pessoas, que agora não são mais ouvintes, mas telespectadores de um falso espetáculo áudio-visual. E assim o ciclo terminou.

No entanto, como tudo, essa era chegou ao fim para dar lugar a uma nova aurora. Mas uma aurora coberta por trevas; tão densas que são capazes de engolir os raios de luz que tanto ajudam as pessoas a vencer o medo que tinham da noite - e das coisas que rondavam nela.
Agora as portas se abrem uma vez mais, parindo os piores temores do Homem novamente. Horrores que agora retornam a um mundo desprovido de superstição. 
E assim o ciclo recomeça.
Para lembrar as pessoas daqueles que vivem nas trevas. 
Daqueles que foram esquecidos e banalizados.

Daqueles que precisam ser temidos.

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