Atualmente tenho mestrado uma crônica de Lobisomem (que venho postando um resumo de cada capítulo jogado aqui no blog, acompanhem) e nela utilizei um método de criação de campanha que eu nunca havia experimentado, que eu apelidei de Método Híbrido. Ok, explicarei, calma.
Nós, Mestres de RPG, sabemos - ou já ouvimos falar - que existem dois tipos de campanhas: a railroady e a scenario. Railroady é aquela campanha "nos trilhos", que segue do ponto A ao ponto Z, com cenas e eventos pré-determinados; eles seguem um timing do Mestre, conduzem os jogadores através da trama, que se desenrola por si só. Jogos de investigação, como Call of Cthulhu, costumam funcionar melhor seguindo esse tipo de narrativa. O investigador encontra uma chave (ponto A) que o fará abrir uma passagem secreta para a câmara onde se encontra o cadáver mumificado de seu falecido tio (ponto B); no cadáver há um manuscrito antigo com um mapa com a localização de outra câmara oculta (ponto C); enfim, pegou né?
Já no estilo scenario, a trama se passa em um (ah vá) cenário completo, com vários pontos de interesse, locais significativos, NPCs posicionados e cada local contendo sua própria sub-trama. É como um mundo de fantasia de D&D, como Forgotten Realms; um mundo aberto - nos videogames, seria o jogo sandbox, como Prototype e GTA, por exemplo - onde os personagens dos jogadores podem explorar livremente. O cenário pode ser uma cidade, um reino, uma região...ou, dependendo da sua inspiração e tempo de campanha, todo um continente!
O Método Híbrido seria uma mistura desses dois estilos de jogo. Temos uma trama principal - uma sequência de eventos/pontos-chave, antagonistas, NPCs centrais - que se desenrola durante a campanha toda, com começo, meio e fim (sendo que o fim é o clímax da campanha, ou pelo menos um fim para aquele arco de histórias), que se passa, por sua vez, dentro de um cenário cheio de pontos de interesse, contendo seus próprios NPCs e mini-aventuras, que podem ser "acionadas", ou exploradas, independente (ou não) do desenrolar da trama principal. Nada impede que você, dedicado Mestre, ligue o cenário todo aos eventos da trama principal; é trabalhoso e exige tempo, paciência e acima de tudo, foco...mas que compensa bastante no final, sério.
Uma coisa muito importante ao criar uma crônica através desse método é, antes de mais nada, levar em consideração a duração da campanha. Alguns Mestres, como eu, gostam de variar nos jogos. Mestrar sempre a mesma coisa - com os mesmos personagens, aquele mesmo cenário de sempre - para alguns grupos, como o meu, pode ser cansativo. Então eu sempre calculo, meio que por cima, o tempo que a campanha vai durar antes de começar a desenvolver a trama e o cenário. Para Lobisomem, por exemplo, eu criei uma trama com por volta de cinco eventos-chave e um cenário com mais ou menos uns dez pontos de interesse; cada ponto contendo em média de uma a duas mini-tramas independentes. Como to experimentando fazer isso agora, não tive noção do quanto a campanha estava rica em cenário. Eu queria que ela durasse uns 3 meses; acabou que estamos no quarto mês e ainda o grupo nem chegou no terceiro ato da trama principal! Nem 50% do cenário foi explorado ainda e acredito que terminaremos a campanha sem eu poder mostrar tudo o que eu criei.
Enfim, foi um esforço válido, mas que terei algum desperdício aí sim, pode apostar. O negócio é desenvolver seu próprio ritmo narrativo, seu timing, e ir aprimorando o método cada vez mais. Sua campanha vai sair mais enxuta e mesmo assim bastante rica.
Desejo-me sorte na próxima vez hehehe.

Muito legal esse post. O modo híbrido é meu preferido, onde o jogador pode se envolver em sub-tramas de seu interesse e ainda segue em uma trama principal bolada pelo Mestre, semelhante aos JRPG que eu mais gosto.
ResponderExcluirAcho que as únicas vezes que narrei algo "railroading" foi justamente quando recorri a aventuras prontas. Meu método padrão é este que vc chama de híbrido; especialmente hj, me falta o tempo e a paciência para investir em cenários complexos com diversas variáveis que nunca virão à tona.
ResponderExcluirPost muito bom, Spiral. No geral eu uso esse método nas minhas campanhas, muitas vezes eu apenas improviso uma dungeon, um discurso inspirador, um combate, etc. Tudo baseado nos arcos de trama que penso, por isso costumo dividir as minhas campanhas em temporadas, para fechar uma parte da história de cada vez.
ResponderExcluirTambem costumo variar entre os jogos, pra dar uma quebrada de ritmo e surgir novas ideias. Se no video game a gente joga de tudo, pq não fazer no rpg?
Abraço
Amo lobisomen e changeling the lost e meu método é o híbrido , parabéns pela campanha , muito inspiradora.
ResponderExcluirAdorei o artigo!
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