quarta-feira, 13 de março de 2013

Resenha: IT

Terminei de ler o clássico do Stephen King, It - uma obra que foi lançada em 86 mas que só agora tomei vergonha na cara (eu, um fã do gênero) e li. Dizer que gostei muito é chover no molhado, então vou direto ao ponto.

A história gira entorno de um grupo de sete amigos que, desde a infância, são assombrados por uma criatura sobrenatural - a Coisa, ou It,  em inglês - na pequena cidade de Derry. Esse monstro é capaz de tomar a forma daquilo que mais te assusta e é responsável por uma série de assassinatos brutais, que ocorrem de tempos em tempos; e suas vítimas são sempre crianças. Entre tantas formas capaz de assumir, a criatura surge normalmente na forma do palhaço Pennywise, sempre segurando balões coloridos e sorridente. Conheço muita gente que teve medo de palhaço depois de assistir o filme que é a adaptação do livro, It - Uma Obra Prima do Medo, de 1990.

O conto acompanha décadas na vida dos sete protagonistas, o Clube dos Perdedores, que conseguiram, de alguma forma, deter a criatura quando ainda tinham seus 10 ou 11 anos de idade. Mas o tempo passou para todos, e agora, na fase adulta, eles devem se reunir e confrontar mais uma vez esse horror, que retornou com sede de vingança. O problema é que enquanto eram crianças, eles tinham o poder da imaginação e fantasia - que funcionava como uma espécie de mágica contra o monstro; algo que se perdeu completamente depois que atingiram a maturidade. A questão que paira então é: como enfrentar a Coisa como pessoas adultas?

No livro, King explora bastante temas como o avanço da idade, fantasias e medos infantis, segredos sombrios e a perda da inocência. Os protagonistas são mais interessantes durante a fase infantil, onde sofrem bullying, possuem vontades que ainda não entendem e acreditam que tudo possa existir - inclusive o bicho-papão que os persegue. A história é contada através de duas linhas do tempo - o passado e o presente da fase adulta - que juntas vão chegar à mesma conclusão, no final do conto: o confronto com o pavor encarnado. Há muita simbologia na escrita de King, desde a maneira como o monstro surge para cada um dos personagens (encarnando aquilo que mais o amedronta) até na forma como eles conseguem lidar com a criatura - não simplesmente atacando a Coisa com punhos ou armas, mas sim mentalizando suas convicções, imaginando...confrontando barreiras que todos nós temos quando crianças e as que desenvolvemos, sozinhos, quando adultos.

Muita coisa de It pode ter sido usado de referência para RPGs de horror como Little Fears, sem dúvida. Conforme fui lendo, foi impossível não imaginar aquilo adaptado para uma campanha desse jogo, desde o conceito do bicho-papão até a mágica que é usada pelo poder da crença e da inocência.


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