O Batman pode ser considerado nessa categoria. Ele não mata e nem é alguém que deseja prejudicar pessoas inocentes, mas ele carrega um trauma dentro de si, um ódio, sentimento de vingança, que conduz todos seus atos e sua obsessão em combater o crime.
Em RPGs, há vários cenários que apresentam esse conflito, principalmente o Mundo das Trevas, onde o jogador assume o papel do monstro. No próprio sistema de regras há traços para se interpretar esse conflito com seu monstro interior, o que reforça o tema dos jogos do MdT, o tão aclamado "horror pessoal". Um vampiro ou lobisomem (os dois mais famosos tipos de personagens desses cenários) são o tempo todo confrontados com seus impulsos monstruosos; o vampiro se depara com sua perda de Humanidade quando se alimenta do sangue humano, forçado por sua Besta Interior; o lobisomem que acaba perdendo a cabeça, ficando cego quando sua fúria primitiva assume o controle, ao menor sinal de stress.
Esse é o tema do post de hoje, amigos. A guerra contra seu monstro interior.
Nem sempre precisamos ser um monstro para termos essa parcela de monstruosidade em nossa alma. Um exemplo disso é o serial-killer, que é humano, pode ser carismático e gentil, porém tendo impulsos monstruosos. No RPG, qualquer tipo de personagem pode ser assim. Ter um Monstro Interior.
Por incrível que pareça, ter um monstro ou lado sombrio em seu personagem, só tende a acrescentar e criar boas aventuras de RPG. Personagens interessantes possuem vários aspectos, dimensões, e personagens "perfeitos e bondosos", infalíveis em seu caráter, sempre são meio chatos - essa é a verdade. As possibilidades de um gancho causado por um erro ou ato impensado do personagem quase sempre conduzem a boas historias na mesa de jogo.
Fugindo do MdT e tentando aqui, bem rápido, a ideia do monstro interior com um personagem de Fantasia Medieval. Um elfo, por exemplo, que é sempre visto como um guardião da floresta, puro e belo. Vamos imaginar que esse elfo é um ranger, e no aspecto externo, ele é como qualquer outro elfo ranger que conhecemos: ágil, bom arqueiro, rastreador e reservado. Contudo, o que poucos sabem, é que ele também possui uma ganância incontrolável, uma verdadeira obsessão pelo cargo que seu irmão mais velho ocupa na sociedade élfica em que ele vive. Um cargo reconhecido, algo como Senhor dos Guardiões (tá, bem clichê...mas só para podermos ter uma ideia), alguém que supervisiona os outros rangers do território élfico.
Bom, temos aqui um terreno fértil para o monstro interior do nosso elfo dar grandes frutos para sua historia. E se nosso belo elfo assassinar seu irmão em um surto de inveja? Ou pior: fazer um acordo com inimigos naturais dos elfos para preparar uma armadilha para seu irmão.
Bom, mas não é só isso. O Monstro Interior é bem mais interessante se confrontado. Se acorrentado e mantido lá, escondido do mundo, mas sempre sussurrando sua vontade de sair, nos ouvidos do personagem. Esses são os desejos do nosso elfo, mas como todo bom personagem tridimensional, ele possui seus valores, inclusive os familiares - afinal, é de seu irmão mais velho que ele sente essa inveja. Ele passa noites em claro imaginando como seria matar seu irmão, como seria assumir a posição de Senhor dos Guardiões...o renome, o status, o orgulho de seus amigos. Mas ele sabe que não pode fazer isso. Não é o correto, ou o justo. Nosso elfo é um herói, um aventureiro que enfrenta horrores orcs, que salva inocentes das mãos de agentes da escuridão e do caos; criaturas que realmente fazem aquilo que ele não quer fazer - mas é aquilo que ele deseja, no fundo.
Pronto. Aqui temos um personagem vivo, rico em personalidade, APENAS com essa premissa do monstro interior e o irmão.
No mangá Berserk, temos o exemplo do Guerreiro Negro, Guts, que alimenta seu ódio e desejo de vingança; contudo, isso ameaça diretamente aqueles que ele ama e protege, sempre pondo em risco a vidas dessas pessoas devido ao caminho de batalhas e rancor que ele decidiu trilhar. Seu monstro interior sempre o impele a seguir em frente, a entrar em combates suicidas, cegando-o para todo o resto.
Eu poderia citar muitos exemplos aqui, mas acho que você já faz ideia do que quero passar. O Monstro Interior, por si só, já acrescenta muito ao personagem de RPG. Adicione o conflito com esse monstro, essas vontades terríveis. O duelo entre o lado sensato e racional contra os sentimentos negativos e impulsivos.
Imagine o que mais poderíamos acrescentar ao background do personagem e torná-lo inesquecível?


Muito bom o post, personagens Tridimensionais são sempre melhores. Muitos jogadores (e mestres) se perdem, criando personagens com pouca motivação, parecem mais personagens do Mortal Kombat do que verdadeiros heróis hahaha
ResponderExcluirCom certeza, Pedro...eu canso de ver isso em jogos, galera criando um Wolverine genérico, ou Conan da vida...e fica aquele jogo chato, desanimador.
ExcluirO lance do Monstro Interior é uma opção pra quem ta afim de uma atuação mais desafiadora...
verdade, o papo do conan ou wolverine genérico sempre rola. Não ligo para quem cria o personagem com uma história mais simples, afinal não é todo mundo que tem tempo ou imaginação para pensar no personagem, mas é legal ver a personalidade dele se desenvolvendo durante o jogo
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