Galera, primeiramente me desculpem pelo longo período que passei afastado do blog. Muita coisa acontecendo, muitas mudanças, correria maldita...na boa, agora consigo respirar tranquilo. Bom, voltando então às postagens em força máxima - e dessa vez trazendo para vocês uma experiência interessante que tive em uma das sessões de Mundo das Trevas que participei como jogador. É, eu também jogo às vezes, quando uma nobre alma se prontifica a mestrar.
Um conselho que dou a partir de hoje para todo bom Mestre: jogue, sempre que tiver a oportunidade. Mestrar é legal, gratificante, sim...eu sei, eu sei...mas as vezes é bom estar do outro lado do escudo, na pele do jogador, para se ter uma outra visão das coisas. E foi só assim que pude constatar isso que irei comentar em seguida.
Estávamos jogando essa crônica a algum tempo. Raríssimas rolagens de dado, tudo focado na narrativa e no roleplaying. Até aí, uma crônica que eu julgaria extremamente madura - confesso que sou um defensor desse estilo de jogo e sempre detestei regras e dados. Passar horas jogando RPG sem uma única rolagem de dado, para mim, era até então sinônimo de um jogo bom.
Mas algo aconteceu. O Mestre exigiu rolagens de dado durante um combate que era crucial para a trama. Torci o nariz, mas ok...vamos rolar dados então, certo Mestre? Bora! Começou o combate e o som dos dados na mesa acompanhava anotações de dano na ficha, pontos gastos e tudo mais.
Duas coisas aconteceram então:
- a primeira é que pude notar que a tensão, a minha inclusive, estava no auge. Eu temia pelo resultado das rolagens, levantava da mesa para conferir os resultados e os nervos estavam à flor da pele. Como Mestre, quando eu evito uma rolagem de dado, eu deixo a cena ser guiada pela interpretação e bom senso da mesa como um todo - o que ainda é bom e saudável sim - mas os resultados correm o risco de serem previsíveis. As vezes essa previsibilidade faz parte de uma boa história, como sempre defendi aqui...mas as vezes, podemos relaxar um pouco essa "amarra" do controle sobre a trama para abrirmos possibilidade para novos - e inesperados - rumos. E isso conseguiremos através dos dados. Os dados são o caos. E o caos gera coisas surpreendentes. Podem arruinar sua crônica, sim...mas também, da mesma forma, podem acrescentar algo que faltou na sua trama.
- a segunda coisa então veio depois que falhei, criticamente, em uma rolagem de absorção de dano e meu personagem "morreu" logo em seguida. Cara, vi os jogadores me olhando e pensando "É, tome do seu próprio veneno!", afinal sempre fui um Mestre sádico, matador de personagens. E ali estava eu, olhando para a minha ficha, meu querido personagem que estava se desenvolvendo ao longo da crônica...e que agora teria que se despedir da crônica. Mas ok...se morreu, já era.
Aí, um "Advogado de Regras" nato, sempre presente em nosso grupo, abriu o livro e conferiu que meu personagem não estava morto ainda: isso caso outro personagem rolasse um teste de Primeiros Socorros nele ainda naquele turno e fosse bem sucedido. E tudo deu certo! Meu personagem foi ao além vida e voltou naquele jogo. E não perdemos a oportunidade e interpretamos a cena de uma forma dramática, cheia de roleplay e emoção (ah, ninguém chorou na mesa não...mas foi por pouco).
E tudo por causa dos dados. Os malditos dados.
O melhor de tudo é que essa experiência de quase-morte fez total sentido no contexto da crônica e gerou um gancho importantíssimo para o Mestre explorar depois. Fantástico.
Depois dessa, devo dizer que os dados me mostraram sua real importância no RPG: o de servirem como uma poderosa ferramenta narrativa.
Sim, é bom perdermos o controle de vez em quando...