quinta-feira, 16 de maio de 2013

A Ecologia Sombria de Lobisomem: Os Destituídos

Sempre que o grupo chega e me diz "Cara, mestra uma crônica de Lobisomem!" eu logo me empolgo, afinal é um dos meus cenários preferidos do Mundo das Trevas. Mas depois da euforia eu já lembro que uma crônica de Lobisomem com o mínimo de consistência e profundidade exige que o Narrador dê atenção à um fator muito importante do jogo: a Shadow, ou Umbra - o mundo espiritual.


Lobisomem: Os Destituídos (sim, vou usar aqui o título em português agora, apesar de não gostar e estar familiarizado com a versão em inglês), assim como seu predecessor, Lobisomem: O Apocalipse, possui toda uma cosmologia rica, apresentando um reflexo espiritual do nosso mundo material - cada coisa possui um espírito, desde um sentimento, um conceito ou até mesmo um objeto. Existem espíritos da dor, felicidade, esperança, escuridão, luz; espíritos animais; espíritos de armas, veículos, pinturas. Além disso, os espíritos são predatórios e seguem uma hierarquia, um sistema de poderes. Um espírito-crocodilo poderoso possui vários outros espíritos-crocodilo menores sob sua influência; e ele mesmo pode ser submisso a um espírito que personifique os pântanos, por exemplo. E por aí vai. É preciso levar tudo isso em consideração na hora de criar uma "cadeia alimentar" no seu cenário de LOD ou LOA.

No território da matilha, quem é o espírito mais influente?  Certamente ele teria todo um grupo de espíritos menores sob seu comando, buscando cumprir um objetivo obscuro (que na maioria das vezes seria aumentar sua influência e poder na região). Já que estamos falando de poder e liderança entre os espíritos, é claro que teríamos as rivalidades, que geram grandes guerras espirituais, capazes de influenciar todo o aspecto físico daquele local. Um confronto interminável entre um bando de espíritos-raposa e um grupo de espíritos-caça, por exemplo, acabaria gerando um aumento na matança de raposas naquela região ou, de repente, em casos extremos, raposas atacando pessoas sem motivo algum.

Os lobisomens de LOD, que pertencem às Tribos da Lua, caçam espíritos que saem da Shadow e invadem o mundo físico, mantendo assim uma espécie de "equilíbrio" sobrenatural no território da matilha. E é claro que os habitantes da Shadow não gostam disso, de sempre acabarem sendo "patrulhados". Então, além de termos que pensar na cadeia alimentar e na hierarquia espiritual, há também a relação entre os espíritos e os lobisomens. Como eles encaram esse papel dos Uratha? Se possuem um acordo com eles ou pacto, como isso aconteceu? Quais os termos? E é sempre bom ter em mente que os espíritos NÃO GOSTAM de lobisomens em LOD; se há um acordo ou aliança, imagine que aquilo pode ser quebrado pela mínima demonstração de desrespeito por parte de um lobisomem ou algo assim. É uma aliança bem frágil.

Agora outro fator muito mais importante do que a relação dos espíritos com os lobisomens é a relação dos espíritos com outro habitante (o maior) do Mundo das Trevas: o Homem. Exatamente. É preciso lembrar que a grande maioria dos espíritos é criada diretamente pelas emoções, pensamentos e ações da raça humana e daquele ambiente. Não só isso: eles se alimentam dessas coisas. É de puro interesse de um espírito-assassinato permanecer sempre próximo de assassinos ou influenciar novos assassinos - a cada novo assassinato cometido no plano físico, esse espírito aumenta seu poder. Humanos também são os melhores hospedeiros quando um espírito resolve "vestir a carne" e caminhar entre as massas. Sim, pensar no papel dos humanos é talvez a chave para desenvolver um ambiente espiritual conciso no seu jogo.

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